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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vem


Vem poisar comigo os olhos no sol pôr.
Abraça-me as mãos e lê nas linhas as
palavras que não digo.
Sente a ternura do corpo que foge de 
encontrar a tua pele.
Aperta-me no mar do teu abraço,
confunde-me nos segredos do teu amor e
parte,
antes que se parta o nosso laço!


Manuela Barroso
Foto pessoal


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Pousada Rainha Santa Isabel

Mais uma pousada para retemperar corpo e alma.
Longe, onde o azul celebra a luz e as torres beijam os céus, o encanto do passado em memórias futuras.
Aqui, as horas apagam-se quando se respira o silêncio escondido nas paredes espessas dos quartos bordados de branco, no aconchego das boas-vindas com doces conventuais, enquanto a Rainha Sta Isabel se passeia na simplicidade austera dos corredores.
Nunca o longe soube a tão perto!





Manuela Barroso

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Colheita de Outono

Eis a delicadeza das formas em sintonia com o gorjeio que anuncia os dias frescos de Outono.
As baladas e os trinados do pisco, acompanham os passos titubeantes de uma estação que se quer serena. 
E ele, acompanha , tarde dentro, as vozes que se vão calando na calma do anoitecer.


As flores são o prenúncio da alegria e a tristeza de que tudo o que nasce, morre. Mas "enquanto dura, vida doçura" e delas nascerão outras alegria lembrando a nossa "perenidade" ...
 Percorremos caminhos e constatamos que não é só o verão que nos traz a alegria do viço das folhas, a altivez robusta das árvores. Há bagas e frutos desafiando-nos com a sensualidade das formas e cores. Ora o vermelho da força e energia ...


Ora o branco puro e doce, nas formas geométricas  da harmonia...

 ...e num desafio como que esturricado  mas colorido,a alegoria das vagens caindo em uníssono da pauta  de um ramo onde a música agora é diferente. Mas continua igual aos sons que guardará na memória das sementes...
...quer em uníssono
 ...quer solitariamente.
quer na justeza de companhia discreta, pacifica.

Algumas flores não se deixam apagar ; conservam formas que atraem os olhares, numa cumplicidade que compromete a indiferença de quem olha como se tudo o que parece simples o fosse na realidade
 ...e lá vem o nosso guia, atento aos nossos passos, ensinar-nos os caminhos dos frutos maduros que restam e se escondem por entre as parras cada vez mais solitárias


E as castanhas ainda a dormir no ventre dos picos?  No chão algumas se escondem por entre a relva já raquítica do outono. Ao longe, fumo sadio saindo por entre as telhas de casa solitária do monte. Uma a uma se vão colhendo como gotas de chuva, agora noutros Outonos mais sadios...
 Mas o campo é uma oferenda para quem passa  e haverá  sempre algo no caminho matando sedes e curiosidades. Que o digam os melros, com direito a tudo que é novidade. E sobram figos para alegria de tudo o que vive: pássaros e gente.
 



Tudo está de tal forma delineado, que não só, há flores, mas também, caprichos de flores.
O sol vai caindo  mais suavemente, razão pela qual  estes penachos que coroam a natureza, se afirmem agora,  lembrando que há flores todo o ano ,  e que as mesmas , não vivam só no cativeiro dos jardins programados...
A Liberdade é preciosa demais, para não fazer parte do todo.


 Fim de Outono.
Natal à vista na perfeição e aconchego das pinhas que nos convidam ao calor da intimidade do lar.
Tudo tem o seu tempo, sua beleza, sua transcendência.
Basta saber olhar
Ouvir respostas da  nossa amiga consciência.

 
 Manuela Barroso

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Convento de Alpendurada

Conventos transformados em hotéis de charme, onde podemos revisitar o passado na austeridade do seu granito, na sua beleza arquitectónica, no silêncio dos seus jardins, na longevidade das suas árvores.
Se bem que pareça distante o seu olhar interior, algo nos apaixona nos seus adereços.
Tempo de paragem, para muitos, em mais um verão -tempo de ócio e de descanso- mas propício ao devaneio e férias.
Assim, um convite, um desafio, uma sugestão para uma viagem até este lindo Convento onde também  podemos repousar.
 









  

 







domingo, 2 de julho de 2017

Tardes Mansas

 "Paisagens Naturais" de Helena Chiarello

Os dias quentes de verão eram o repouso imposto aos corpos exaustos, castigados pelo trabalho árduo do campo.
A sombra das laranjeiras casava-se com a folhagem oferecida da ramada, donde pendiam agora os cachos negros de verdelho e retinto e que serviam de suporte a ninhos de cerezinas que espreitavam curiosas os estranhos vultos humanos...
...Mas as tardes tinham outro encanto!
O tempo ia correndo preguiçoso entre o rio e um livro à sombra da laranjeira pingando flores intensamente brancas, intensamente perfumadas...
...e deixava  o "amor" adormecido no meio  do romance e fazia-me ao rio com um pequeno e rudimentar apetrecho de pesca...
Tardes de pura quietude!
 Deixava-me absorver pela  mansidão das águas e dos pequenos peixes em recreio, que brincavam com as libelinhas que sobrevoavam a capa das águas  que também  dormiam e onde eu me espelhava juntamente com os choupos  que emolduravam o meu corpo.
Era um cheiro a frescura, a água lavada, misturado com o lodo verde onde serpenteavam enguias e trutas esguias...
...e lançava o meu isco...e sorria...
...Os peixes, numa desconfiança atrevida, apareciam parcimoniosamente picando o anzol, com um "não te quero" ..."mas volto"...
...e davam meia volta como num bailado sem vénias!
... E... nada!
Mas era gostosamente doce e relaxante, sentir o vai-e-vem, o sossego que os barbos e bogas me transmitiam...
...e eu não queria o peixe...eu queria o prazer da tranquilidade das águas sobrevoadas pelas libelinhas , e que se agitavam em tremura, juntamente com o voo rasante das andorinhas...
...E neste relaxamento induzido pelo coaxar das rãs e o borbulhar das águas transparentes nos seixos, onde o céu azul mergulhava, transportava-me para o meu lugar seguro, onde não tinha necessidade
de defesas nem de escudos...
...Era eu própria!
Deixava-me embalar nesta onda de paz...
...olhava o Universo...
...e sentia-me à porta de minha Casa!
Corria uma maré frisante que arrepiou os meus cabelos acordando-me do torpor de pensamentos.
Mergulhei na água cristalina que me acordou...
...as folhas dos choupos dançavam dizendo adeus...
...e enfeitei os meus olhos com espelhos de água e libelinhas num entremeio de renda por onde os raios de sol penetravam...
... bordando este lençol  que cobre ainda o meu berço de menina!


Manuela Barroso
( reeditado)


terça-feira, 9 de maio de 2017

Quis



quis abraçar o espaço
onde te escondes e
encontrei fogo nas
entranhas do teu amor

penetrei pelas espinhas
do tempo
sussurrei memórias
e na tempestade das estrelas
ouvi  o teu nome

no horizonte das águas
vi sombras semeadas
de trepadeiras encostando-se ao infinito

abracei o teu sorriso
e alegria
e fui asa por uma dia


Manuela Barroso



sábado, 29 de abril de 2017